
Não há nenhuma palavra hoje que identifique melhor, meu interior...
Meu eu-lírico foi infestado e corroído por uma vastidão de nada.
Que vale mais, morrer de sede ou sofrer os efeitos da água salobra?
Sinto-me invadido, inválido, cândido. Como aquele que sente a areia branca escapar-lhe por entre os dedos.
O que esperar de uma confiança abalada, de um descuido, de um sentimento passado que some por alguns minutos e reaparece em outros. O cuidado que não veio quando foi chamado por meu âmago inconseqüente, e que insiste em estar, não estar, estará...
O tempo escorre, e cá estou eu, tomando fôlego para não me deixar levar nesse rio equivocado.
Minha vida se estende em um borrão que insiste em não desembaçar, e tenho medo de manchar a minha alma e meu coração eternamente.
De um dia não acordar, e ter essa angústia gravada a ferro por todo o sempre.
Gostaria de reencontrar meu velho e ausente equilíbrio, minha saudosa serenidade, e recuperar toda a beleza que costumava pintar em cada sol ardente no céu.
São as águas de março fechando o verão...